domingo, 18 de setembro de 2016

Apenas mais um comentário...


                                    Apenas mais um comentário...
As vésperas da entrada da Primavera, mais precisamente uma semana antes, aconteceu uma tragédia pública provocando uma comoção popular.
Um lindo e excelente ator de palco e picadeiro se despede tragicamente afundando nas águas do Rio São Francisco que fazia cenário para a novela “Velho Chico”.
Impacto e comoção geral, já que o recebíamos no nosso lar todas as noites, sempre interpretando o personagem Santo dos Anjos, homem digno e cheio de princípios honestos que lutava pelo bem comum.
Isso em tempos de lavagem de roupa suja nos domínios da política nos faz sentirmos órfãos de bons exemplos e de esperança que alguém se espelhe num caráter ilibado e nos represente com dignidade e hombridade em Brasília.
E o mais bonito é que ele praticamente interpretava ele mesmo, já que trazia todas essas qualidades na alma de acordo com os inúmeros depoimentos dos que conviviam com ele mais de perto.
Pois é, ai vem os comentários; “era hora dele?”, “foi tão cedo...” e outras tantas que correram de boca em boca numa necessidade de externar a pasmaceira que se abateu por toda a parte.
Por mais triste que seja uma situação dessas e outras que vemos no nosso cotidiano, aprendi dentro da Filosofia Espírita que ninguém morre antes da hora, salvo suicídio e crimes de toda ordem, pois estarão usando de seu livre arbítrio, todos irão quando chegar a hora por mais estranha que seja essa hora para alguém. Um tombo, um afogamento, um acidente ou uma bala “perdida” ou dormiu e não acordou, ou melhor; acordou noutra dimensão... Cada um está onde precisava estar para que se cumprisse a experiência de vida nessa encarnação, simples assim.
Se não vejam: usando o mesmo exemplo do passamento do ator Domingos Montangner e sua companheira de trabalho a Camila Pitanga; os dois estavam na mesma situação e se não se deram conta ela era a parte frágil da dupla. Ela até tentou segurá-lo, mas não conseguiu. Ela estava correndo o mesmo risco de ser carregada para o fundo do rio e não foi simplesmente por que a hora dela não chegou. Com certeza ela ainda tem tarefas a cumprir nessa encarnação e assim continuará por mais um tempo que também não se sabe.
Daí que o melhor é confiar nosso destino nas mãos de Deus e nos preparar todos os dias para a possibilidade de sermos chamados, gostemos ou não essa é a nossa realidade. A realidade de todos.
Por isso não adianta acumular tesouros, mágoas e rancores. Tudo pode acontecer a qualquer momento.
Tenham um lindo e feliz dia porque hoje se chama presente por que é um presente de Deus. Para que no uso de suas horas possamos aprender e evoluir um pouco mais.


quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Calvície Coletiva

                                     Calvície Coletiva.
Foi em total desespero que a cidadezinha de poucos habitantes, até ali conhecidos pela fartura de cabelos acordou literalmente calva, totalmente sem cabelos, totalmente carecas, despelados e com a cabelama toda espalhada pela cama.
 Em total espanto, pasmaceira e desespero que cobria a todos de vergonha pública se esconderam como podiam naquela que até ali havia sido uma cidade de grandes feitos capilares.
Os melhores e mais populares empreendimentos da cidade eram; uma barbearia e um salão de beleza, já que nada era mais importante para aquelas pessoas do que os seus cabelos onde quer que existissem em seus corpos.
Volta e meia as mídias visitavam a cidade pela fama e curiosidade do local fazendo entrevistas, medindo cabelos e barbas e tudo o que se relacione a pêlos longos ou curtos.
Ali naqueles confins eram lançados os produtos referentes a cabelos e barbas com o maior sucesso. Nenhum outro lugar consumia tanto cosmético específico da área.
Havia concursos e mais concursos do cabelo mais comprido, a barba mais longa e os fios mais brilhantes e macios ganhavam prêmios. Havia até concurso de pêlos das regiões axilares e das canelas que eram cuidadosamente tratadas com cremes e xampus apropriados... Havia um concurso para medir os mais longos fios que nascem nos dedos dos pés e outros para os das laterais das mãos, esses eram só para os homens...
Assim, voltando a intrigante notícia, a cidade amanheceu literalmente despelada e todos totalmente desprovidos de um fio remanescente se escondiam envergonhados como se estivessem nus em público. 
Apenas um que fosse do "prolongamento filiforme que cresce na pele dos homens e de certos animais", como assim está escrito e definido no meu amigo “Aurélio”, o nosso cabelo ou pelo, ali permaneceu para contar o acontecido.
Uma verdadeira tragédia se abateu dentro das casas agora penumbrosas ao longo dos poucos quilômetros que abrangia o território daquele vilarejo.
Primeiro que ninguém saiu de casa por toda a manhã, onde se espreitavam pelas frestas, e pelas portas e janelas entre abertas. Todos permaneciam cobertos com toucas, chapéus e lenços nas cabeças dentro dos seus lares. 
Ninguém saiu de casa em dia claro até o que o seu Ivaldino, único calvo da cidade, se deu conta que algo acontecera de muito grave, pois já havia andado de um lado para outro e a cidade estava morta, nem uma alma viva perambulava por nenhum lugar.  Ele já havia passado pelo Salão e pela barbearia, pontos de encontro de todos, até mais que a Igreja e a pracinha, e não havia ninguém. 
Daí resolveu bater na porta do barbeiro e perguntar o que houve e se deparou  com o dito com um turbante Indiano amarelo que removeu logo que lhe foi perguntado o que estava acontecendo pelo amigo Ivaldino. 
E lá estava para espanto do amigo, uma reluzente careca desprovida de qualquer pêlo.
Levou um susto e soube dele que havia saído logo ao amanhecer, que a vila inteira acordou totalmente sem cabelos.
Por um momento a felicidade invadiu o coração do seu Ivaldino que sofria “buling” desde a infância por nascer sem um desgraçado fio de cabelo que fosse para pentear pela manhã, e se sentiu vingado de toda a vila, porém como era temente à Deus, como ele apregoava, se benzeu conteve e reformulou seus pensamentos. Ficou bem sério encarando o amigo desesperado enquanto segurava o riso descarado lembrou dos apelidos que ganhou pela vida a fora; "pouca telha", "pista de pouso para passarinho", "aeroporto de mosquito", "bola de sinuca" entre outras, mas preferiu deixar de lado e prometeu investigar o caso.
Voltou para casa e diante do computador abriu todos os contatos que tinha feito em todas as comunidades de calvos que havia pelo mundo para receber a mesma resposta de sempre: 
"Não temos resposta para esse questionamento. Ninguém sabe por que os cabelos caem e nunca mais voltam."
Assim, enviou um e-mail a todos os amigos da cidade se solidarizando com eles por passarem tão desgastante momento que ele conhecia bem, mas lhes tranquilizou que continuaria sua pesquisa.
Em princípio os conterrâneos consideraram que ele estava "tirando onda" com eles, que era um deboche da parte dele se vingando de todas as piadas que fizeram durante a vida toda, mas como nada podiam fazer aceitaram a sua ajuda.
Dias depois, ele recebeu um laudo de um renomado laboratório internacional e o reenviou imediatamente aos conterrâneos, que informava que o poço artesiano que abastecia a Vila e era alimentado pelo lençol freático que passava logo abaixo do nível do solo, foi contaminado por uma grande quantidade de produto depilatório causando assim a depilação coletiva dos moradores ao se banharem e beberem daquela água.
Mais uma vez a cidade se valeu do acontecido para uma reportagem no mínimo intrigante que lhes valeu novamente notoriedade.


Aqui falou a repórter do dia, com os devidos cabelos no lugar e uma garrafinha de água mineral na mochila por medida de precaução... ♥

sábado, 27 de agosto de 2016

Palavras

                                              Palavras; seres vivos.
Palavras são “seres” vivos, mágicos, com asas que saem pelas bocas e ficam flutuando pelo espaço sem fim dando um colorido à vida.
Todo esse lindo cenário que temos à nossa frente não seria tão lindo se não pudéssemos nos expressar em palavras para tentar descrevê-lo.
“É claro que uma imagem vale mais que mil palavras” como definem bem, em palavras, pessoas que podem ver e falar.
As palavras moram em nós, seres criativos por excelência, desde o começo da humanidade. Tão criativos que o inventor da escrita, definindo o que falamos era analfabeto.
Palavras são “seres” vivos e imortais, ou quase, já que existem pelo mundo as chamadas línguas mortas, mas se ainda falam dela é por que permanecem de alguma forma, imortais.
Quando pronunciamos palavras elas ficam vagando pelo espaço infinito para sempre,  já que estamos mergulhados em um mar de palavras silenciadas, ou não audíveis a ouvidos nus, em alguma frequência especial fazendo parte do som da terra.
Imagine o barulho que a terra faz na nossa galáxia e no universo?!
 Sim eu sei que o som não se propaga no espaço cósmico, será? Ou são nossos aparelhos auditivos que não conseguem decodificar ainda os sons do espaço? O que não conhecemos, não existe...
Sim eu hoje acordei com os três neurônios endiabrados e com “a corda toda”. Estão em “altos papos” essas crianças curiosas.

Bom dia, bom final de semana e boa semana que vem... ou o que quiser...

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Com ou sem Alergia, mas com Alegria. ;)

                                    Com ou sem Alergia, mas com Alegria.
Dias atrás eu estava em um ponto de ônibus bem longe de onde moro, quando chegou uma senhora bem arrumada e toda esbaforida me perguntando qual era o ônibus que acabava de passar e eu lhe respondi que aquele iria ser recolhido.
-Ah, ainda bem, logo vem o outro então, pois estou com pressa, preciso ir até o centro e voltar correndo, pois deixei o meu marido em casa sozinho e ele está com alergia. Ele tem alergia a frutos do mar.  Não gosto de sair preocupada, ele deve ter comido alguma coisa que fez mal. Ele é muito alérgico, saiu à mãe dele, minha sogra, que tinha alergia a tudo. Ela já morreu faz tempo, mas eu não sei o que foi dessa vez que deu alergia nele. Está lá todo inchado coitado.
E ainda perguntei; ele foi medicado?
-Sim logo cedo ele foi ao hospital Militar, porque já tinha hora marcada com dentista e aproveitou e fez a consulta, agora é esperar, mas eu fico muito preocupada. Eu faço a nossa comida, até fiz um feijão bem temperadinho, mas não coloquei carnes nem linguiça, essas coisas, já por conta das alergias. Mesmo com visita em casa, minha amiga ficou aqui a semana toda e fiz a comida como faço para nós; bem simples. Da minha comida não foi, ai eu fico só pensando. Ele começa com um ponto vermelho perto da boca daí vai ficando inchado e até parece outra pessoa. Parece um irmão dele que morreu faz dois anos e também era alérgico a tudo. Eles não se parecem em nada, pode botar uma foto do lado da outra que não parecem irmãos, mas quando dá alergia e fica com o rosto inchado é todinho o irmão dele. Pois é... Mas o que será que atacou a alergia de novo? Ontem meu neto fez aniversário, ele está temporariamente lá em casa enquanto os pais mobíliam o apartamento novo, muito bom e lindo por sinal, e a mãe dele encomendou uns salgadinhos e um bolo para ele festejar com uns amigos, só uns dez, para não passar em branco. Mas o meu marido só comeu uns quibes e bolo que ele está acostumado e não faz mal...
Daí enquanto ela tomava um fôlego sugeri que se o quibe foi frito em óleo que havia sido frito salgadinhos de camarão ou bacalhau ele teria comido traços do que dá alergia a ele.
-É mesmo, pode ser não tinha pensado nisso, até fico mais aliviada. É isso mesmo com certeza! Olha senhora, eu não tenho alergia a nada, ainda semana retrasada nós fomos de excursão para Foz de Iguaçu/Paraguai. Nós mesmos organizamos essa excursão já há quinze anos e sempre ficamos hospedados no mesmo hotel, e festejamos um monte, o pessoal do Hotel nos ofereceu uma festa de Fidelidade com champanhe e tudo e ninguém sentiu nada. Essa excursão que fazemos, antes ia só militares, meu marido é militar, agora a maioria que vai é civil, mas é animada do mesmo jeito. Quando eu casei sofri muito porque tivemos que mudar para Brasília e eu tinha a primeira filha só com seis meses, chorava dia e noite de saudades da família, mas depois a gente acostuma, naquela época já, a minha menina apareceu com alergia, depois disso de vez em quando aparece. Já o meu filho e eu não temos nada disso... Olha lá está vindo o nosso ônibus! Obrigada senhora, agora já sei da onde veio a alergia foi do quibe frito no óleo que foi frito camarão. Preciso ir ao centro e voltar correndo, pois não gosto de deixá-lo sozinho assim...
Entramos no ônibus e eu consegui mais um assunto para postar no Blog...
Ainda dizem que as pessoas contam tudo o que se passa em suas vidas no Face book, claro que não! Eu sempre ouço essas maravilhas em todos os lugares. Sou boa ouvinte. O FB é mais uma opção de desabafo com a vantagem de poder postar uma foto para comprovar.
O mais interessante é que os assuntos vão fazendo uma fieira quase de um fôlego só...
Boa semana com ou sem alergia, mas com muita alegria...


quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Aniversariando 70 vezes!


                                         Aniversariando 70 vezes!
Olha eu, quem diria, completando mais uma volta ao redor do sol, este sol magnífico que amo tanto. 
70 voltas completas às 17.35h conforme diz meu registro de nascimento, do dia 14 de agosto de 2016!!!
Olho para trás e repassa um filme louco em alta velocidade. Como aqueles filmes antigos do começo do século passado, de quando eu nasci :( . 
Faz tempo em?
As imagens de momentos inesquecíveis passam em disparada sem que eu possa pegar alguma e lembrar de mais detalhes. 
Tem isso, as imagens vão ficando desbotadas, sem cor e nem minúcias.
Me vejo criança, me sinto criança ora entre lágrimas ora entre sorrisos, muita bronca e repreensões de uma família só de adultos já que eu sou a caçula; (palavra tão antiga quanto eu).
Todos davam e ainda se acham no direito de dar palpites na minha vida, o que me causa risos hoje em dia, por perceber que somos amados, ou odiados, pela alma e não pelo corpo que vestimos. Nesse caso amada, sem dúvida.
Para eles a minha aparência não mudou, continuo a criança que cuidavam.
Não me enxergam como uma mulher vivida, com uma bagagem pesada, desbotada e um tanto esfarrapada pela caminhada difícil em alguns momentos. 
Como todo mundo passa, é claro, mas cada um com a sua experiência, e hoje estou falando da minha trajetória. 
Da mulher idosa de acordo com os avisos (“idosos acima de 65 anos”) já começando a cansar de tanto caminhar. 
Aquela que reverenciam pelos cabelos brancos ou ignoram pelo mesmo motivo. 
Aquela que caminha devagar, paga meia, tem fila própria, lugar próprio e no meu caso, ainda vida própria...
É muito bom chegar aonde cheguei e ver que muito do que vivi, valeu a pena e o restante não teve importância nenhuma.
Olhar para os filhos e suas famílias e ver o quanto foi importante tudo o que passei, mesmo errando muito na criação deles, pois também amadureci e aprendi com eles. 
Já pedi desculpas a todos pela ignorância em atos e atitudes que só uma jovem mãe imatura de tudo comete por ignorância. 
Vamos sendo mãe, sendo mães! Este é o grande lance da vida.
As vezes aprendemos o “métier” aos poucos e lentamente, e as vezes mais rápido do que a vista alcança. Em minutos somos capazes de amadurecer dez anos! Mas é da vida. 
Vamos aos “trancos e barrancos” aprendendo e ensinando a viver.
Em princípio, pela quantidade de reencarnações trazemos todos os manuais inseridos em nós. Precisamos apenas aciona-los.
Para tudo temos conhecimento superficial ou profundo. 
Daí porque crianças “sabem tudo” antes que se ensine ou aprendem com rapidez assombrosa. 
Mas na correria da vida, não temos “tempo” para procurar todas as respostas e vamos "chutando" na maioria das vezes, como numa prova de múltipla escolha ... E o pior é que as vezes não da para voltar atrás e refazer, infelizmente...
Daí pulo para a juventude e repasso momentos mais tristes que alegres e continuo...
Entro pela maturidade e aqui estou eu olhando para os lados na encruzilhada da vida e nem sei que caminho tomar, mas dizem que todos levam à Roma, então iremos à Roma!
Um  brinde a todos que como eu não tinham ideia de um dia alcançar tão longa trajetória.

“Se chorei ou se sorri...♫♪ o importante é que emoções eu vivi...”♪♪♫♪♫

domingo, 31 de julho de 2016

Se assim fosse...

                                                       Se assim fosse...
Como seria bom se pudéssemos acessar as lembranças de nossa história, de dentro do nosso cérebro, assim como fazemos com as pastas do computador, não é?
Poderíamos tirar as dúvidas quando alguém nos dissesse que falamos algo que realmente não lembramos de ter falado.  Pediríamos desculpas com mais sinceridade.
Poderiam ser assim como os vídeos que salvamos, onde estariam gravados o que dissemos ou fizemos.
Poderíamos rever nossas atitudes, seria  bem mais fácil reconhecer nossos erros e resignificar conceitos e valores envelhecidos e em total atraso.
Poderíamos sempre que quiséssemos vivenciar a saudade com mais realidade, intensidade e relembrar dos momentos inesquecíveis que se amarelam e desbotam com o tempo como fotos antigas sem perder um só detalhe.
Poderíamos sentir os cheiros ouvir as vozes, as gargalhadas que não queremos esquecer nunca.
Poderíamos acessar momentos inesquecíveis que jamais se repetirão no desdobrar das nossas vidas e nos nossos momentos futuros. Nunca mais!!!!
Quando será que a tecnologia alcançará este estágio científico onde as dimensões se misturarão num só momento?
Estou no aguardo...




quinta-feira, 28 de julho de 2016

Não Se Fazem Mais Como Antes...

                                      Não mais se fazem como antes ...
Deusalina era dessas mulheres românticas ao extremo, talvez por isso não havia encontrado a sua “tampa do balaio”, a sua “metade da laranja” ou do limão, ou da jaca ou lá que nome se dê a um relacionamento mágico de contos de fadas onde um pisca e o outro “sente” os olhos arderem... tipo assim, entende?
Daí que ao longo dos anos entre sonetos e músicas românticas ela foi bordando um amor que só existia dentro da cabeça dela. Tão grande que parecia mais uma auto paixão, já que ela se modelou de uma maneira que se achava a mais romântica das criaturas e ninguém mais como ela havia no planeta azul para se igualar, mesmo assim viva em busca de alguém digno de seu amor.  
E assim vivia entre suspiros e lágrimas, totalmente voltada para o objetivo de encontrar o seu amado amor.
Durante muito tempo procurou na multidão e nos anúncios de namoros que saiam nas revistas tentou muitos, entrava em contato mas tudo em vão.  
Passou tantos anos nessa função que estava mais para uma mulher “madura” do que para uma inocente jovem romântica. 
Atravessou o país algumas vezes para conhecer seu “príncipe”, porém era só decepção, eram todos uma enganação ao vivo e a cores conforme costumava dizer para as amigas. E quando achava que havia encontrado algum depois de algumas horas de avaliação, Deusalina pegava a sua mala e voltava cabisbaixa para o seu canto e desencanto. Depois passava meses entre lágrimas d e tristeza e desolação até o próximo que encontrava.
Até que um dia, nossa amiga romântica, durante um voo de visita aos Lençóis  Maranhenses aproveitando um período merecido de férias, conheceu o que ela passou a chamar de “amordaminhavida”. Quanto mais se conheciam mais crescia aquele amor perfeito.
 El Cid, escrito assim mesmo,  era seu nome de batismo. Homem discreto, respeitador, cavaleiro, também romântico e perfeito. 
Maduro e bem humorado. Um príncipe. Na verdade, um achado.
Passaram as férias se conhecendo e loucamente se apaixonaram um pelo outro, afinal eram espelhos e como Narcisos deram-se as mãos e correram em busca da Felicidade sem mais delongas.  Depois de um mês de férias juntos voltaram a vida real e aos seu trabalhos, mas o jantar era sempre juntos em seu apartamento ou algum bom restaurante para brindarem mais um dia de Felicidade juntos. 
Os dois totalmente enamorados, diante de velas e vinho ao som das grandes orquestras famosas em todas as épocas. Musica de baile. Dançavam e se amavam mergulhados um nos olhos do outro.
Mas é preciso que se diga que desde o primeiro dia, no avião ainda, El Cid tirou do bolso uma pequena barra de chocolate Diamante Negro e estendeu a ela que maravilhada ficou com aquele singelo mimo entre os dedos respirando fundo com os olhos marejados.                           E a partir dali aquele se tornou um signo para o amor dos dois.  A “barrinha” de chocolate. Guardava com carinho todas as embalagens dentro de um livro de poesias.
Ao retirar o papel percebeu que haviam cinco quadros de chocolate.  Ela a partiu então em duas partes entregando dois quadrinhos para ele e ficando com três quadrinhos.
E pelos dias que se seguiram ele sempre entregava uma “barrinha” de chocolate depois do jantar  que ela partia em dois, ficava com três quadradinhos entregando a ele os outros dois .
Depois de alguns meses daquele ritual, certo dia jantando num restaurante elegante, ele estendeu a “barrinha” de chocolate Diamante Negro sobre a mesa mas não entregou a ela, deixou na lateral entre eles. Jantaram conversaram e até dançaram e quando voltaram a mesa e tomaram o ultimo gole do vinho ela estendeu a mão para pegar o chocolate para dividir com ele, como sempre fazia, mas ele o alcançou antes dela não a permitindo fazer o de sempre.
Calmamente ele retirou a embalagem olhando bem dentro dos seus olhos e entregou a ela dois quadradinhos do chocolate, colocando na boa os seus dois ficando com o último na mão.
Quem a olhasse naquele momento viria nitidamente a decepção dela.
“Então ele não é perfeito como eu pensava, fui enganada, oh céus que decepção!!!!”
Ele se manteve sério só observando aquela mulher que estava diante de si com os olhos marejados e que até ali havia vivido um grande e perfeito amor...
Daí ele tomou da faca e dividiu o quadradinho em dois triângulos e ofereceu um a ela que raivosa se levantou e foi embora deixando-o ali perplexo.
Logo depois ela escrevia para a amiga no WZ.

“Querida amiga, por conta dessas feministas desalmadas de hoje em dia não se encontra mais homens perfeitos. Não abrem mão de nada por nós, agora é só igualdade, igualdade, igualdade...”

domingo, 24 de julho de 2016

Do Baú..

                                                              Do Baú
 Num dia qualquer de um tempo que se perdeu, revirando papeis e quinquilharias dentro de um velho Baú esquecido no porão encontrei coisas muito interessantes entre escritos e muitos guardados. 
Para alguém que está entediada num dia de chuva e frio foi um achado.
Revirar aquelas coisas todas me fez voltar no tempo e trazer à tona lembranças e momentos de saudade.
O baú não era meu e a casa era recém alugada, mas não sei porque naquele momento senti reviver alguns momentos da minha vida. Acho que as nossas são as lembranças de todos.
Um impulso maior me faz continuar a remexer...
Afastando folhas secas e flores murchas, fitas puídas e rendas desbotadas, um chapéu de festa todo amassado, vejo brotar maços de cartas amareladas pelo tempo de letras desenhadas e marcas de batom. 
As letras desenhadas com esmero e graça fazem arabescos nas doces frases de poemas antigos. Tudo exala perfume de flor e formas desbotadas de cor.
Continuo a vasculhar aquela mistura de saudade e lembranças e me deparo com uma chave enferrujada, de alguma fechadura desconhecida. 
Paro para observá-la entre os dedos e não consigo imaginar de onde possa ter vindo, talvez de outro baú ou uma porta secreta. Quem sabe até a tenham guardado simplesmente porque a acharam bonita. Trazia uma fita de veludo negra que se destacava na parte superior onde se via dois corações entrelaçados. Realmente não fazia a menor ideia de onde ela fechava e abria.
Já houve um tempo que era comum se guardar lembranças, mechas de cabelos, dentes de crianças, vestidos de comunhão, de casamento e batizado em rendas fitas e bordados para futuramente vestir um outro descendente em algum momento especial... 
E não acabava mais de tirar coisas daquele baú mofado.
O primeiro sapatinho, papel de bombom cor de rosa, uma flor “sempre-viva” dentro de um livro de poesias com dedicatória, reafirmando juras de amor pela eternidade, objetos que marcaram momentos inesquecíveis, naqueles tempos de sótãos e porões. Hoje não se tem espaço físico nem ao redor de nós mesmos. Moramos em cubículos num exercício muito nobre de despojamento e desprendimento. Precisamos viver só com o essencial.
Revirando mais um pouco o velho Baú de guardados, encontro um pequeno Missal de capa em Madrepérola da primeira Comunhão de alguém, junto de uma longa vela branca que trazia na base um babado de renda.
Algumas fotos me prenderam a atenção por uns momentos como se eu fosse reconhecer aquelas velhas pessoas tristonhas. Lembranças de crianças numa praia, outras de festas com pouca luz e pessoas taciturnas, casamentos, batizados e um velório, sim um velório. Tudo em P&B., na verdade Sépia de tão antigas.
Quanto mais remexo mais trago a memória do tempo, uma memória que não é minha mas faz conexão com as minhas lembranças e sinto uma saudade doida e profunda de um tempo que não volta mais, estranho não é?
Uma caixa de madeira perfumada me chama a atenção. A tomo nas mãos e me dou conta de que um dia ela guardou sabonetes de Odor de Rosas, hoje guarda uma velha coleção de Santinhos de Igreja... Fechei os olhos e senti o perfume impregnado na madeira penetrar pelas narinas do tempo. Já tive uma caixinha daquelas...
Observo com mais atenção e avalio aqueles “cromos” por um tempo e me dou conta de que não existem mais “santos” nos tempos atuais, por que será?
Morreram todos e ficaram para nós suas histórias de milagres e santidade. Não foram renovados e nem substituídos ao longo do tempo.
Fico pensando e me perguntando aqui com meu colar de Pérolas autênticas que encontrei entre os guardados também:
Isso é bom ou é ruim para a humanidade? Não se fazem mais santos como antigamente! E porque não se fazem, o que mudou na santidade, no céu ou na terra?
Talvez porque todo mundo esteja muito ocupado hoje em dia e santidade demanda tempo, meditação e muita disponibilidade para se doar inteiro em épocas de correrias.
Como agiria um “santo vivo” em dias de hoje, teria uma página no FB e um grupo no WZ?
Oh céus!!!!
Guardei o colar correndo, fechei o Baú e sai do porão rapidinho.
Melhor ir tomar um café... tá servido?
                                            

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Sol, o Majestoso, onde estás tu?

                                           Sol, o Majestoso, onde estás tu?
Cadê esse cara que está ficando igual caviar, eu só ouço falar... ?
Gente, eu não sei vocês, mas eu não sobrevivo sem o sol.
Não conseguiria jamais morar naqueles países onde a neblina o frio e a sombra predominam a maior parte do tempo e dos anos que se seguem.
Por hora já estamos ha mais de 10 dias sob neblina intensa, nevoeiro, cerração ou o nome que o valha. Isso me causa uma tristeza profunda, um mau humor tenebroso e minhas dores se intensificam. Não seria nunca a Branca de Neve, ou aquela outra, a Elza. Sinto frio só de olhar...
Em dias de sol, saio de dentro das minhas poucas paredes e esqueço que tenho um esqueletinho de segunda que não suporta o peso das minhas carnes, nem tão fartas assim.
Daí que sinto frio no corpo e na alma e vou me encolhendo, me compactando e quase viro um chip, apenas com informações sem importância e pouco volume físico.
Para mim é muito difícil passar o inverno aqui no sul. Quando não é aquele dilúvio constante é essa camada de matéria sutil, inútil e sem brilho e muito úmida a cobrir tudo.
Ontem saí as 11 da manhã para ir ao dentista, ainda com o tempo fechado, porém querendo abrir e a secretária dele me falou que ao atravessar a ponte pela manhã não conseguia visualizar a ponte ao lado tão fechado estava de cerração.
A Ilha e parte do continente têm desaparecido por estes dias sob intensa bruma e os aeroportos vivem fechados boa parte do dia ou só operam por instrumentos.
Quéquéissomeupovo?

Estou aceitando que me enviem ♫♪ “para onde tenha sol, é pra La que eu vou...♫ com todas as despesas pagas é claro...

sábado, 25 de junho de 2016

Um amor salvo da sarjeta

                                Um amor salvo  da sarjeta
A luz da lua criava sombras na parede da alcova fazendo parecer ainda maior a corcova do homem que passeava pelo aposento.
Em sua cabeça de parcos cabelos e muita fantasia pairava um pensamento renitente e quase estridente beirando revelar o seu segredo tão antigo quanto à velha casa cinzenta que o abrigava há longos anos.
Era mais que uma paixão, era um fetiche guardado a sete chaves.
E foi pensando nele que abriu a duas portas do armário e mais a tampa da caixa de metal que ficava na parte interna do assoalho do referido móvel e retirou com cuidado o seu tesouro e o colocou sobre a cama em desalinho afastando para cima do travesseiro de cor indefinida as cobertas desbotadas e amarfanhadas para melhor apreciá-lo.
Era magnífico! Da cor vermelha e salto agulha de nove centímetros...
Era um Louboutain autêntico.
Passou horas naquela posição de admiração e lentamente foi se delineando em sua mente entorpecida de paixão uma doce declaração de amor pelo seu precioso objeto encontrado por acaso escorrendo pela sarjeta inundada e imunda no ultimo temporal que caiu na cidade.


Meu amor mais lindo da cor da paixão e a elegância de um cisne.
Que exerce sobre mim a atração irresistível de um ímã.
De emoção me quebra em partes e me faz derreter inteiro.
Salvo da lama, do abandono e da sarjeta.
O que mais me intriga e me faz perguntar; 
Onde está seu par?