sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Compreender para ser Compreendido...

                                                Compreender para ser Compreendido...           
Hoje, enquanto fazia o meu café pela manhã, fiquei pensando na sabedoria Divina e seus caminhos para nos ensinar o básico, o AMOR.
Só evoluímos quando aprendemos e vivenciamos naturalmente as Leis Morais do Código Divino.
Me dava conta, naquela hora, que há muito tempo não me irrito e para ser sincera, não me incomodo com coisa nenhuma e nem com atitudes de ninguém, porém quem me conhece há muito tempo sabe que o meu nome era "estressada" e "no limite da neura". Vivi anos assim até me tratar com psicólogos, psiquiatras e continuar estudando a Filosofia Espírita que nos ajuda em muito nessas de autoconhecimento, comportamento e entendimento das coisas.
Alguns dirão que é da idade, mas eu digo que não. Se fosse assim todos os velhos seriam calmos e tolerantes, mas não são, acho até que alguns só pioraram com o passar dos anos. E a "rabugice" agora é seu nome. Mas rabugice não é privilégio de gente velha, pois muita gente prima por esse comportamento em todas as idades e etapas da vida.
Porém o que me levou à divagar sobre o comportamento humano logo pela manhã enquanto o meu café escorria, é que me lembrei de uma pessoa de meia idade e super intolerante, que chega a ser agressiva ás vezes. Está sempre "cobrando seus direitos" e contestando em qualquer assunto abordado, levantando a bandeira do correto.
E em me comparando com ela, no meu antes e no agora, me dei conta de que os meus tratamentos e meus aprendizados de alguma forma funcionaram e surtiram efeito na minha pessoa. Hoje me considero bem mais tolerante, paciente e resiliente.
Pois se viemos ao mundo para aprender, progredir sempre e  nos educar literalmente como espíritos que viajam pela eternidade à fora, então é melhor aceitar e procurar se adaptar em vez de ficar batendo de frente o tempo todo. É preciso se dar conta que não somos o dono da verdade.  Seguimos uma meta Divina, queiramos ou não. Tenhamos humildade para reconhecer. Dói menos aceitar.
Somos crianças, espiritualmente falando, rebeldes e malcriadas como o são a maioria das crianças, mas que precisamos nos educar, nos auto-conhecer para continuar a evolução, pois se  tudo evolui por que não haveríamos de evoluir também?
E os nossos orientadores, instrutores e educadores são, imagine só; nossos familiares, nossos colegas de convivência no trabalho, na escola e no dia a dia. Eles sendo bons ou não, são nossos exemplos para o bem e para o mal, são os que aparam nossas arestas e nos fazem refletir sobre a vida e o que ela têm para nos oferecer.
A iteração entre todos é o que nos educa realmente. No isolamento demoramos mais para aprender, mas como crianças que somos, nos rebelamos para mostrar nossa "força" fazendo tudo ao contrário mostrando com isso como somos ainda egoístas e egocêntricos. Reclamamos o tempo todo demonstrando nossa intolerância e intransigência para tudo e para com todos.
Com o tempo vamos entendendo que o mundo não gira ao redor do nosso próprio umbigo e vamos assimilando lenta e paulatinamente as leis do Universo, respeitando como gostamos de ser respeitados, sendo paciente com o caminhar do outro que anda mais devagar que eu, que muita coisa pode esperar mais um pouco e que as coisas sempre dão certo quando somos mais pacientes. Tudo na vida anda no próprio passo, não adianta acelerar as coisas.
Também mudamos nosso mundo  quando nos damos conta que o meu espaço termina onde começa o do outro e assim vou adquirindo mais paciência e tolerância e com isso tudo muda em meu interior.
 Quando inserimos em nossa alma o aprendizado de ver o outro como extensão de nós mesmos, e temos consciência que se dói em mim, é claro que dói nele, se eu sinto fome ou frio ele também sente, vamos   pensando no outro como um ser que têm os mesmos direitos que eu, e que se sobra no meu prato provavelmente está faltando no de alguém,  vamos aprender a dividir o nosso pão e o nosso agasalho, estes sentimentos é que nos modificam e nos fazem crescer como seres humanos que procuram seguir as Leis Divinas, do Amor Maior, que produz o progresso e a evolução.
Dai deduzi que a minha vida não tem sido em vão para o meu aprendizado e auto-conhecimento como às vezes penso.
Ao não me irritar por tudo o tempo todo, não quer dizer que virei "santa", quero dizer que melhorei como pessoa e que atitudes irritantes advindas de pessoas que ignoram ainda o que eu já aprendi à duras penas, diga-se de passagem, simplesmente me fazem observar calada como se observa uma criança que esperneia aos gritos no chão do supermercado, com certa tristeza, é verdade, mas com muita tolerância. E ainda me lembro da frase:
"Perdoai Pai, eles não sabem o que fazem"... ainda.

Vai um café ai?


sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Armas da Sedução

                                                Armas da Sedução
 Perivaldo contratou um técnico para trocar o motor da geladeira. Antes tivesse comprado uma geladeira nova, pois acabou perdendo a mulher para o técnico no maior descaramento.
A mulher de Perivaldo, dona Domênica, não perdia tempo. Era mulher sacudida, festeira e voluntariosa.
Queria que Perivaldo fosse mais dinâmico, mais audacioso, mas Perivaldo era daqueles que vivia e fazia tudo devagar, quase parando parecia um navegador de grandes mares, sempre com barco à favor do vento.
Já Domênica não perdia uma festa, um baile ou qualquer evento. Dançava e se sacudia o tempo todo, enquanto Perivaldo ouvia o Futebol no radinho de pilha debaixo da mangueira no quintal ou na televisão. Ele também gostava muito de ler Biografias de Santos ou de figuras ilustres. Invejava alguns pela determinação, outros pela paciência, destemor, tirania, carisma e muitos belo brilho da existência. E assim por uns momentos ele vivenciava durante a leitura  a vida dos personagens e era feliz, valente, sedutor etc...
Mas Perivaldo não era tão abstraído das coisas da vida como Domênica pensava. Enquanto Domênica dançava, ela também "dançava"; porque ele encarnando de vez em quando "Don Juan" paquerava uma certa vizinha  do bairro e muitas vezes jogaram conversa fora em algum lugar, aqui e ali, mas nada sério, só um teste de sedução para Perivaldo.
Assim quando soube que a mulher fora embora com o mecânico de geladeiras, conforme as palavras escritas e descritas no bilhete pregado no "pomo da discórdia", ou melhor, da separação, ou seja: na geladeira, ele foi andar pela vizinhança em busca de novas conquistas, pois hoje ele estava "para o crime", o da sedução, com Don Juan incorporado. Tinha certeza que ia ganhar todas.

Perivaldo, Perivaldo... 

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Espanando o Cérebro

                                  Espanando o cérebro
Hoje é novamente dia 26, assim como acontece todos os meses à cada trinta dias mais ou menos, um sentimento profundo incontrolável me faz pensar na vida...
O tempo passa correndo e nem levanta poeira enquanto a saudade grudada nos nossos pés nos impede de  caminhar com desenvoltura e leveza.
Olho no espelho e percebo que na mesma velocidade do tempo vou murchando e as rugas vão se aprofundando na face pálida que perdeu o viço das emoções. Nem fico mais corada de vergonha. Descubro que perdemos totalmente a vergonha com a idade. Eu pelo menos perdi.
O branco dos cabelos, assim como a neve nos telhados, pesa muito fazendo encurvar meus ombros. Sim; os anos pesam. E ainda querem viver até os 120 anos, pra quê?!  Só para ficar mais penoso, mais difícil de carregar o acúmulo de vivências? Sei não, não sei se quero isso para mim...
Olho para trás e vejo no passado um romance de 500 páginas inacabado, amarelado e empoeirado pelo tempo escrito em papel de Bíblia em letra miúda.  Ás vezes até preciso uma "lupa" para lembrar de imagens de pessoas, e lugares que estão compactados na memória do tempo. Alguns episódios deveriam ser deletados para sempre, mas esses justamente são relembrados em negrito, em letras bem grandes.  Releio algumas partes que ainda tocam e outras que vão perdendo o sentido com o tempo.
Viro a página correndo e volto ao dia de hoje, com suas incertezas e possíveis surpresas, ou não, mas não ajuda muito, pois amanheceu sem sol e viver sem sol é como comer sem sal, só engolindo rápido e sem prestar atenção enquanto ocupa a mente com outra coisa. Não dá para saborear.
Voltando ao presente, olho lá fora e o mundo está desenhado à lápis em mil tons de cinza, sem luz e sem brilho.
Sabe-se que há vida porque buzinam na redondeza. Os pássaros e os cães silenciaram e como eu devem estar nostálgicos. É da vida.
Logo passa, vai passar e um novo ânimo toma conta da alma e pincela algumas cores; e por uns momentos somos capazes de sair dançando pela sala, anestesiados pela música que toca  no som do carro que passa, mas ele passa também...
Assim como uma onda que vem e vai de volta para o mesmo mar infinitas vezes, a vida vai nos empurrando sempre de volta; e eu me pergunto: - para onde?-  Não sei, ainda não descobri, mas me sinto empurrada pela vida...
Bom dia.☼♥                                                                                    


domingo, 17 de setembro de 2017

Confabulaçoes

                                                Confabulações
Quando eu vou comprar mamão escolho por afinidade, amor à primeira vista. Só tenho certeza da doçura comprando o Papaia, mas gosto também do Formosa que é o dobro do tamanho, que vou comendo aos poucos e tenho a sensação de que dura mais, mesmo equivalendo em peso, não sei.
Enfim;  no supermercado, diante daquele mar de frutas diversas vou até aos mamões verdes alaranjados da banca e fico por alguns momentos observando-os para ver qual deles quer ir comigo, qual está a fim de fazer parte do meu corpinho por algumas horas, saber dos meus segredos, dos meus amores e dores, ouvir minhas orações e até dar palpites nas minhas conversas e discussões com Otávio.
Fico em silencio, mesmo que esteja cantarolando alguma balada metódica ou alguma coisa meio religiosa eu paro e fico olhando para os mamões, observando suas reações com a minha presença, pois de repente eu sinto vindo das entranhas do fruto não proibido o apelo - eu quero ir contigo, eu vou, sou doce e macio e te darei a satisfação do prazer da gula por alguns momentos-
E lá vou eu carregando a criação Divina produzida em série pela mão do homem do campo, tão esquecido por aqueles que dependem dele todos os dias, enrolado numa manga de crochê macio.
Feliz vou para casa e o acomodo na fruteira entre outras frutas, porém ele é o majestoso, o maior entre todas as espécies do recipiente.
Passa ali adormecido mais alguns dias para amadurecer mais um pouquinho já que as suas cores estavam mais para o verde do que para o alaranjado e assim provavelmente ainda estava mais firme do que macio para ser comido ao ponto.
Finalmente numa manhã de um dia nublado, observando a fruteira me dou conta que ele chegou ao estágio perfeito para ser comido. Pego-o nas mãos e o levo para um banho com detergente e esponja macia, primeiro o lado verde (da esponja) e depois o amarelo, mais macio. Enxugo-o com delicadeza e expresso o meu amor por ele dando-lhe um beijo e lhe agradecendo o prazer que ele estava me proporcionando ao degustá-lo sendo feliz, pois o estava levando para dentro de mim, meu eu mais profundo, e por algumas horas seríamos um só. Puro prazer...
É muito amor envolvido.


Isso se chama solidão.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Ouvido, para que te quero

                               Ouvido, para que te quero?
Nas minhas observações nesses últimos tempos tenho notado o tanto de ansiedade que envolve a maioria das pessoas e isso em todas as faixas etárias..
As pessoas têm necessidade de falar o tempo todo, até fazem perguntas, mas não querem saber as respostas e o que realmente temos a dizer sobre o assunto perguntado na verdade não lhes interessa.
Essas pessoas só querem ter assuntos para falar, falar e falar...
Há uma aceleração mental disseminada ao meu redor, ou estou entrando "em marcha lenta" ou em "vôo cruzeiro"? Não sei teria que me olhar e me ouvir de fora talvez esteja agindo do mesmo jeito...
Eu por minha vez quando me perguntam ou colocam um assunto ouço ameaço entabular uma frase, uma resposta ao colocado ou perguntado, e logo sou cortada com outra pergunta sobre outro assunto ou comentário que nada tem a ver com a pergunta feita, é só a mudança de assunto mesmo...
Com isso hoje em dia falo bem menos por absoluta falta de chance na maioria das vezes. Falo muito menos, o que deve ser muito melhor para todos.
Mas como o meu cérebro continua na mesma velocidade que sempre trabalhou fico me perguntando:
O que está havendo?
Parece que hoje em dia todos sabem de tudo e detêm a verdade como sua propriedade absoluta não se importando com as outras facetas que outros possam apresentar...
Daí depois de conversar com minhas pantufas chego a triste conclusão para que conversar? Ninguém quer trocar idéias, só querem colocar as suas e nem por um momento avaliar outras opiniões... triste isso, quando não há troca não há crescimento.
Então fico ainda pensando, será que a minha opinião sobre as coisas, o mundo e o que anda por aí interessa mesmo a alguém? O mundo está muito polêmico, todo pensamento e toda colocação precisa estar politicamente correto, não se pode mais ser maliciosa no comentário, fazer uma piada boba em cima de um assunto que logo será execrado por uma multidão de pessoas que nem te conhecem e já prejulgam  e condenam só por uma frase inconsequente ou mal colocada ou que tenha apenas a finalidade irreverente de fazer rir.
E assim continuando a confabular com minhas gavetas da alma fiquei pensando que com o tempo a Sábia Natureza vai eliminando aquilo que não fazemos não mais uso e que não precisamos para evoluir, por conta das dietas e dos alimentos processados, leia-se órgãos do corpo físico, tipo dentes, por exemplo. E isso me remeteu à figura típica dos "ET's", cabeça grande e triangular para comportar um cérebro pensante, olhos grandes para melhor observar e a boca... a... a boca é um "botão", eles já não precisam usar tanto a boca e provavelmente usam da telepatia para se comunicarem.
Mas que ninguém nos ouça, eles são feios pra caramba, mas a lição que fica é;
Pensar muito, olhar e observar tudo e falar o mínimo necessário.                                               Mas que são feios são, né não?

sábado, 2 de setembro de 2017

O Parente

                                                              O Parente
Outro dia passeávamos logo cedo pela orla, respirando o ar puro da manhã, pois a natureza nos havia brindado com um lindo e maravilhoso dia de sol, sem uma nuvem no céu brilhante e sem vento o que me tira totalmente a vontade de caminhar ao ar livre.
Lá pelas tantas percebi que o Otávio ficou para traz parando para ler um cartaz colado no poste de iluminação. Voltei cheia de curiosidade para ver o que havia de tão interessante escrito num dos muito restos de papel colados que a bem da verdade só enfeiam o lindo o lindo espaço de lazer à beira mar.
Quando cheguei perto percebi que a criatura peluda de olhos amarelos já havia sido picada pelo bichinho da curiosidade.
Enquanto eu tentava ler alguma coisa ele já me arrastava pela mão para voltarmos ao caminho de volta para casa e antes que ele desse um ataque de birra como fazem as crianças mal educadas voltei ou melhor voltamos correndo.
Ao chegarmos em casa ele correu na frente e entrou no banheiro para tomar banho, enquanto eu fiquei separando a roupa para sair com ele, sabe-se Deus para onde.
Sim, pelo comportamento dele vi que viria "cosa" pela frente.
Quando chegou a minha vez de entrar no chuveiro ele já me avisou aos gritos que eu não demorasse por conta de ele ir sozinho e acabou que foi mesmo. Aonde? Sei lá! Nunca sei o que ele pretende fazer e do jeito que é mandão e machista nem me dá satisfação, apenas vai. E no poste haviam muitos cartazes, não sei qual ele se interessou...
As horas se passaram e eu já estava ficando preocupada com a demora dele, então resolvi fazer o almoço. Quando tudo estava quase pronto ele adentrou pela sala todo esbaforido e descabelado...
- O que foi que houve? Parece um furacão! - Lhe perguntei de um fôlego só.
- Acabei de saber o que eu já desconfiava...
- E o que foi que você desconfiava que acabou de saber, criatura "dedeus"?
- Sabe o que encontrei lá no parque à beira mar? Um anúncio de uma vidente que descobre nossas vidas passadas, peguei o endereço e fui fazer uma consulta e se segure para não cair!
Falava com a voz mais esganiçada do que de costume e eu olhando para ele com a maior abertura de meus olhos para não perder nada.
- Eu sou um descendente direto do gato do Faraó Ramsés III! Pura linhagem como sempre soube, não é o máximo? Eu sempre tive certeza que eu sou de nobre linhagem.
Por um momento fiquei em silêncio olhando aqueles olhos amarelos e respondi;
- Bem... eu penso que sua linhagem degenerou um pouco comparando com as Imagens de Osíris, ou da Deusa Felina Egípcio Bastet, você tem um pouco mais de pêlos, olhos amarelos, nariz achatado... sei não...
Bom, estamos de relações cortadas há três dias depois dessa conversa e ele está recolhido aos seus aposentos e não atende ninguém desde então.
Fazer o que, né?



sexta-feira, 11 de agosto de 2017

O Cheiro dos Deuses, Como Será?


                                        O CHEIRO DOS DEUSES, COMO SERÁ? 

Outro dia indo de ônibus para o centro da cidade não pude deixar de ouvir a conversa de duas mulheres que tranquilamente falavam dos atos litúrgicos da igreja delas em alto e bom som para quem quisesse ouvir, e eu como boa ouvinte de histórias pitorescas fiquei ligada no assunto que era a igreja delas e sobretudo o pastor Paulo e suas pregações maravilhosas. Conversa vai, conversa vem uma delas falou para a outra que a mãe do pastor costumava sentar em frente a ela (ou ela atrás da mãe não lembro agora) e sempre se cumprimentavam.
Ela falou isso como se a ditosa mãe fosse a primeira dama da Igreja. Uma honra sentar ao lado e conviver com tal criatura tão de perto. 
Naquele mesmo dia horas depois, por coincidência ou destino,  eu, elas e uma terceira que depois vim a saber ser a mãe do pastor Paulo, nos encontramos na seção de perfumaria das Lojas Americanas.
Nos olhamos naturalmente e eu as reconheci do ônibus e observei que a mãe do pastor Paulo levava um desodorante nas mãos e ao vê-las se dirigiu a mulher do ônibus que sentava perto dela na igreja. Toda sorridente se aproximou mostrando o desodorante e lhe perguntou se aquele produto era bom, pois ela iria levar para o filho, o Pastor Paulo.
E para a minha surpresa, a mulher do ônibus espantadíssima perguntou para a "primeira mãe" da igreja dela: 
- Mas o pastor Paulo usa desodorante, ele tem cheiro em baixo do braço? 
Então a "primeira mãe", não só confirmou, mas ainda saiu pela loja contando-lhe alegremente toda a vida do "santo filho" desde que era pequeno quando já sonhava em ser pastor e provavelmente ainda não tinha cheiro debaixo do braço.    ôô¬ 

Que me desculpem parecer que estou debochando do religioso ou das religiosas, longe disso, o que estou na realidade é mostrando a ingenuidade de certas pessoas que só porque a criatura prega a Palavra de Deus já é santo em vida seja lá que religião professe...

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Lembranças Não Gratas

                                       Lembranças Não Gratas
Logo que o despertador tocou antes das seis horas e abri os olhos, me deparei com Otávio e seus grandes olhos amarelos de pé parado ao meu lado.
Eu não me lembrava de ter colocado o relógio para despertar...
O silêncio era significativo naquele olhar fixo em mim e parecendo não muito amistoso, quase enigmático.
Quando o meu cérebro pegou no tranco e pude concatenar algumas idéias me dei conta que talvez tivesse novamente esquecido algo que combinamos, para variar...
E agora? O que será que me esqueci dessa vez?
Enquanto pensava fui afastando as cobertas, me levantando e me dirigindo ao banheiro para tomar um banho e acordar de vez. Em seguida voltei para o quarto vestida com meu roupão de estampa "camuflado", para arrumar a cama enquanto tentava lembrar para onde combinamos ir, pois disso dependia a escolha do que vestir.
Olhei para ele que olhava pela janela aberta com olhar perdido no horizonte e notei que se vestia com uniforme completo da Seleção Brasileira de Futebol com a chuteira rosa e tudo. Isso me deixava cada vez mais encafifada.
Continuei sem entender bulhufas do seu silencio, a roupa escolhida para aquele dia e  sem entender nada mesmo me dirigi para a cozinha, ver se tomando café a memória voltava.
Ao chegar encontrei tudo pronto à minha espera... pensei: aí tem coisa e bem esquisita, pensei com as minhas pantufas de patas de tigre.
Eu me sentei em silêncio, até porque nem sabia por onde começar e fui me servindo enquanto ele se sentava na minha frente do outro lado da mesa, foi ai que me dei conta do seu olhar triste e úmido, olheiras fundas de quem nem dormiu direito.
Quebrei finalmente aquele silêncio sepulcral e lhe perguntei com todas as letras, qual era a do dia e ele me respondeu perguntando como eu podia ser assim tão desnaturada que não recordava um dia como aquele.
Sinceramente não, não me lembrava de nada lhe respondi, mesmo lhe ocultando que desconhecia em que dia e mês estávamos, após vasculhar minhas gavetas mentais, enquanto me servia de mais uma torrada com geleia.
E ele então, após engolir em seco me falou com a voz embargada que era o dia da triste lembrança em que o Brasil perdeu para a Alemanha de 7X1.

Só não voltei para dormir porque já havia arrumado a cama...

terça-feira, 27 de junho de 2017

Uma Relação Febril.

                                                     Uma Relação Febril
Lá pelos primeiros dias da primeira quinzena de maio deste ano de 2017, estava eu viajando em casa de parentes, quando o conheci.
De cara quase me derrubou, acelerou meu coração, tirou o meu apetite e em alguns momentos bambeou minhas pernas, fiquei com as mãos frias e suores pelo corpo, por uns momentos entonteci.
Sim bem forte, acho que mais dos que eu já conheci.
Nos primeiros dias até que dominei a situação, tomamos chá juntos, resolvemos os problemas que geram dores de cabeça e por que não dizer do corpo todo?!
Pois é desde esse dia, ou melhor essa noite morna em que tomávamos vinho enquanto degustávamos um churrasco conversando, rindo e ouvindo músicas maravilhosas, que senti um gelo percorrer minhas costas anunciando o frio do outono que se apresentava às primeiras horas do anoitecer. Foi ai, neste momento preciso que tudo começou, me lembro bem, e desde então ele não me largou mais, sempre me causando emoções intensas e muitas vezes até desconforto pela sua persistência e intensidade.
Agora mesmo querendo e precisando resolver coisas e sair,  não posso, pois conseguiu me tirar o meio de comunicação que mais uso que é a voz. Estou sem voz, o que fazer oh céus!!!!
Por incrível que pareça ele ainda me causa arrepios e alguma fraqueza em alguns momentos. Sim, ele até já se afastou e quase chegamos a terminar há duas semanas atrás, mais em menos de 24horas estava de volta firme e forte revelando todo seu amor pela minha pessoa.
Agora me digam, mesmo não podendo e sendo contra a lei de Deus e dos homens se não preciso matá-lo para extinguir qualquer possibilidade de procriação, multiplicação e regeneração?
Alguém sabe como exterminar o vírus maldito dessa gripe que não me larga?
Aceito sugestões e não venham me dizer que ele é "filhodedeus"...
Também não adianta justificar me dizendo que ele se apaixonou por mim e pelo meu corpinho macio, eu não quero essa relação!!!!
Me erra, cara!


domingo, 18 de junho de 2017

Santo Bolo.

                                                       Santo Bolo
No dia 13 de junho ia eu pela rua distraída em meus pensamentos insanos quando reparei num entra e sai animado da Igreja de Santo Antônio.
Curiosa e por não ter nada mais interessante a fazer por aquelas horas frescas de outono, resolvi entrar para ver o que acontecia, foi ai que me dei conta de que era o dia dele, do Santo padroeiro dos solitários, aqueles que não suportam a solidão ansiosos por alguém que troque e divida afetos íntimos, ou não, mas que tome o café juntos pela manhã discorra narrativas de filmes e livros durante a tarde, comentem as notícias do dia e lhe dê um beijo de boa noite, alem dos que anseiam simplesmente por um "cobertor de orelha" para os dias frios, o que não querem é ficar sozinhos, eles ou elas.
Como dizia, levada pela curiosidade entrei junto de duas senhoras que trocavam cochichos e risadinhas discretas à minha frente quando fui parada logo à poucos passos da entrada por um gentil cavalheiro com um prato plástico à minha frente onde uma fatia de bolo com cobertura branca que mais parecia de casamento, repousava ao lado de um também garfo plástico transparente. Insistiu em me estender o pratinho me dizendo que se eu encontrasse o Santinho no meu pedaço de bolo nos casaríamos antes do Natal naquele ano ainda. Detalhe: eu já tinha ouvido falar que o tal santinho de metal que colocavam dentro do bolo (mais de mil em algumas Igrejas) já havia causado pelos mais afoitos que o mastigavam sem nenhum cuidado e o engoliram, muitas contrariedades e até boletins de ocorrência querendo processar o Santo, por dentes quebrados e cirurgias de desobstrução das vias digestivas ou respiratórias. Assim, temerosa de algum contratempo, pois já havia me arrependido de ter me deixado levar pela curiosidade e entrado, tentava desviar do insistente homem que com determinação me estendia o pedaço de bolo.  Fui desviando das pessoas e tentando fugir da criatura e até que fui me encaminhando para um canto num vão de uma coluna com ele persistente ao meu lado.
O burburinho continuava ao nosso redor com a distribuição do bolo, dos pãezinhos bentos, além de santinhos de papel com orações escritas atrás.
Quando voltei a olhar para o meu interlocutor que permanecia carregando nas mãos o pedaço de bolo e repetiu a frase que casaríamos até o final do ano caso eu encontrasse no bolo o santinho e ainda acrescentou: se você encontrar a aliança caso em menos tempo ainda. Assustada tentei recuar para trás esquecida de que a Igreja estava cada vez mais lotada de gente.
Olhei para o enorme Santo Antônio que ficava no Centro da nave e eu juro que ele piscou para mim.
Continuei tirando meu rosto da direção do bolo até que me ocorreu perguntar se aquela era uma nova modalidade de arrumar namoro e ele me respondeu que "não tínhamos tempo mais para rapapés de antigamente como namorar, noivar de aliança e casar".                                      Me chamou de velha, o desgraçado, e o pior é que nem liguei porque era verdade, mas ele era do mesmo século que eu com certeza!
Porém olhando um pouco melhor até que ele era muito charmoso e apessoado, mas por que eu?
E o garfo com um pedaço de bolo maior que ele se equilibrava na direção da minha boca novamente. Olhei de novo para o Santo lá em cima e ele piscou de novo, cheguei a acreditar que era um mecanismo consolador de esperançosas pessoas solteiras a fim de alguém, o que não era o meu caso, não naquele momento e nem naquelas circunstâncias.
Finalmente quando abri a boca para dizer um taxativo "não, não quero bolo!" Já era tarde, ele me enfiou goela a baixo sem mesmo fazer "aviãozinho" o maldito pedaço do bolo.
Mastiguei com o maior cuidado pensando nos meus poucos e bem cuidados dentes verdadeiros e felizmente nada tinha naquele pedaço. Oh, gloria!
Realmente decepcionado ele queria que eu comesse o outro pedaço que sobrou no pratinho, mas rapidamente confiando no Santo que piscava eu lhe disse que ele mesmo comesse e que se tivesse um santinho ou aliança eu casaria com ele até o final do ano.
Me dei conta que a louca do bolo era eu!!!
Na hora ele ficou todo animado e enfiou tudo na boca de uma só vez e mastigou com fé e louvor a doçura como se fosse um pedaço de picanha "ao ponto". Quando ele parou estremeci por um momento e olhei para o Santo que piscou de novo e jurei que iria investigar aquilo no dia seguinte, mas olhando a decepção do homem vi que não havia nada no pedaço de bolo, ou ele engoliu na agonia e ansiedade... Pois e agora, como saber?
Sai dali me esquivando dos que entravam animados imaginando que o cara tenha ido pegar outro bolo para tentar de novo com uma próxima desavisada. 
Enquanto saia olhei de novo o Santo que continuava piscando(?)
Pisquei pra ele, é claro!

Cada uma...